A instabilidade administrativa no São Paulo chegou ao ápice nesta quarta-feira (21), com a saída oficial de Julio Casares do comando do clube. A decisão foi comunicada por meio de uma carta divulgada nas redes sociais, dias depois de o dirigente ter sido afastado pelo Conselho Deliberativo, que aprovou a abertura do processo de impeachment.
O agora ex-presidente estava sob forte pressão desde o fim de 2025, quando conselheiros protocolaram o pedido de investigação interna. Na última votação, 188 dos 223 membros presentes optaram pelo afastamento provisório, o que abriu caminho para a convocação de uma Assembleia Geral que poderia confirmar a destituição definitiva. Com a renúncia, essa etapa deixa de ser necessária.
Nos bastidores, aliados vinham defendendo que a saída voluntária seria menos desgastante do que prolongar a crise institucional. Inicialmente, Casares resistiu à ideia, mas a intensificação das apurações e alegações de problemas de saúde teriam pesado na decisão final.

As denúncias que envolvem a gestão do ex-dirigente são alvo de investigações da Polícia Civil e do Ministério Público. Entre os pontos apurados estão movimentações financeiras consideradas atípicas e possíveis irregularidades na comercialização de espaços do estádio. Paralelamente, um inquérito civil foi instaurado para apurar se houve gestão temerária e eventual prejuízo ao patrimônio do clube, especialmente diante do crescimento expressivo da dívida, que se aproxima de R$ 1 bilhão.
Casares presidia o São Paulo desde 2021. Durante sua passagem, o time voltou a levantar troféus importantes, como o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil de 2023, mas também enfrentou um cenário financeiro delicado.
Com a renúncia, a presidência passa a ser exercida de forma definitiva por Harry Massis Júnior, de 80 anos, vice desde 2021 e sócio do clube há mais de seis décadas. Ele permanecerá no cargo até o fim do atual mandato, em dezembro.








