
Dois casos recentes chamaram atenção para os cuidados diante de ataques de abelhas. Em Minas Gerais, uma menina de 12 anos foi atacada por mais de 100 abelhas em Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e precisou ficar internada por cerca de uma semana. O ataque aconteceu próximo a uma escola e também atingiu pessoas que tentaram ajudar a vítima.
Em Parnaíba, no litoral do Piauí, cerca de 20 pessoas foram atingidas por um enxame dentro da Escola Municipal Roland Jacob. Uma estudante e um professor precisaram de atendimento médico, e as aulas foram suspensas para a retirada das abelhas, que estavam em uma árvore no pátio da unidade.
Embora muitas picadas provoquem apenas dor, vermelhidão e inchaço no local, o ataque de um enxame pode exigir atendimento de urgência. Isso porque tanto a quantidade de veneno inoculada quanto a resposta do organismo influenciam na gravidade do quadro.
Segundo a médica alergista e imunologista e professora da Afya Uninovafapi, Mariana Fernandes, uma reação esperada costuma ficar restrita ao local da ferroada. “Reação de pele que acontece à distância da ferroada chama atenção para uma reação alérgica”, explica.
Ainda de acordo com a especialista, falta de ar, rouquidão, tosse, desmaio e sintomas gastrointestinais graves ou persistentes também são sinais de alerta e podem indicar anafilaxia, uma reação alérgica grave.
Já em casos de múltiplas picadas, o risco não depende apenas de a pessoa ter ou não histórico de alergia Pode haver o risco de intoxicação pela quantidade de veneno inoculada. “Em havendo múltiplas picadas devem ser tratadas como urgência, mesmo que o indivíduo nunca tenha apresentado quadro alérgico”, explica o médico emergencista Williams Cardec.
O que fazer após as picadas?
O primeiro passo é afastar-se do enxame e procurar abrigo, protegendo principalmente rosto, cabeça e pescoço. Depois, os ferrões devem ser retirados o mais rapidamente possível. A orientação do Ministério da Saúde é fazer a remoção por raspagem, utilizando uma lâmina ou cartão, e evitar pinças. Em seguida, deve-se lavar o local com água e sabão.
Também é recomendado retirar anéis, colares e outros adornos que possam dificultar a circulação caso haja inchaço. Compressas frias, protegendo a pele com um pano limpo, podem ajudar. “Não se usa qualquer outra substância caseira ou produtos adstringentes (por exemplo: álcool, pasta de dente, pó de café, azeite, óleo de cozinha”, alerta Cardec.
Em situações de múltiplas picadas ou diante de sintomas como dificuldade para respirar, sensação de garganta fechando, inchaço de língua, boca ou pescoço, tontura, desmaio, vômitos ou queda de pressão, é necessário buscar atendimento imediatamente. O SAMU pode ser acionado pelo 192.
Crianças, idosos e pessoas com doenças cardíacas, renais ou respiratórias merecem atenção especial em casos de múltiplas picadas.
Quem apresentou uma reação alérgica após uma picada deve procurar avaliação com um alergista e imunologista. O acompanhamento permite estabelecer um plano de ação para novas exposições e avaliar a necessidade de adrenalina autoinjetável. “Além disso, existe imunoterapia alérgeno específica para venenos de insetos (abelha, vespa, formiga)”, explica a médica alergista Mariana Fernandes.
Fonte: Ascom








