Hacker Walter Delgatti afirma em CPI que deputada federal Carla Zambeli (PL-SP) confessou para ele autoria do texto falso sobre prisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Em conversa, a parlamentar teria dito que produziu material mentiroso inserido após invasão no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
“Existe uma conversa minha com a Carla, que ainda não saiu na mídia, em que ela confessa que realmente foi ela”, afirmou o parlamentar durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos atos antidemocráticos, da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), nesta quinta-feira (14/9). O relator da CPI, deputado distrital Hermeto (MDB), perguntou se a conversa poderia ser entregue à CPI, e o hacker informou que conversaria com o advogado e responderia depois.
Delgatti presta depoimento à CPI dos Atos Antidemocráticos da CLDF por videoconferência. Ele está preso em Araraquara (SP) e não pôde ir a Brasília por falta de dinheiro da Câmara distrital para pagar passagem, segundo o presidente da comissão, Chico Vigilante (PT). Cinco dos sete deputados participaram da CPI da CLDF: além de Chico e Hermeto, Fábio Felix (PSol), Gabriel Magno (PT) e Paula Belmonte (Cidadania).
O hacker também falou sobre o encontro que teve com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Palácio da Alvorada para tratar de plano para invasão das urnas eletrônicas. Segundo Delgatti, o então presidente da República disse que o hacker seria o responsável por “salvar a liberdade do povo” e que havia um plano da esquerda para “implantar o comunismo no Brasil e a China teria territórios aqui”.
“Ele elogiou o que eu tinha feito com a Lava Jato, sim, ele elogiou e disse que eu tinha missão que seria salvar a liberdade do povo. Então, tendo acesso [às urnas eletrônicas] e mostrando ao povo [a fragilidade do sistema] seria a liberdade do Brasil”, disse o hacker em referência a suposta fala de Bolsonaro durante o café da manhã do qual participou no Alvorada.
Delgatti também disse que Bolsonaro afirmou que o procurador-geral da República, Augusto Aras, era “de confiança” e que havia acabado com a Operação Lava Jato.
Ele reafirmou o que relatou na CPI mista do 8/1, do Congresso Nacional, sobre reuniões no Ministério da Defesa. O hacker disse que esteve no órgão por cinco vezes para tratar de informações sobre supostas fragilidades das urnas eletrônicas.
“Eram reuniões em que eu dava dicas de como esconder o código, de como fazer o teste. Exemplo: se tivesse algoritmo no código, [explicava] como escapar dele. Porque, a vida toda, fui eu quem criava isso. Então, era muito mais fácil eu fazer o laudo com teste do que eles que aprenderam na faculdade”, disse.
Lembre o caso
Delgatti, que ficou conhecido nacionalmente como o hacker da Vaza Jato, está preso desde 2 de agosto de 2023 por invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir documentos e alvarás de soltura falsos no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP).
De acordo com a Polícia Federal, os crimes aconteceram em 4 e 6 de janeiro deste ano. Nas datas, foram inseridos no sistema do CNJ e de outros tribunais brasileiros 11 alvarás de soltura de presos e um mandado de prisão falso contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Segundo as investigações, a invasão ocorreu “com a utilização de credenciais falsas obtidas de forma ilícita”. Isso configuraria crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. Na mesma operação na qual a Polícia Federal prendeu o hacker, Zambelli foi alvo de busca e apreensão.