A Polícia Federal investiga um suposto esquema de repasses mensais feitos pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, ao senador Ciro Nogueira. As apurações fazem parte da quinta fase da Operação Compliance Zero, que também cumpriu mandados de busca e apreensão contra o parlamentar nesta quinta-feira (7).
Segundo a investigação, os pagamentos teriam chegado a R$ 500 mil por mês e estariam relacionados à atuação política em favor de interesses do banco em Brasília. A decisão do ministro André Mendonça cita mensagens obtidas pela PF que indicariam o custeio de despesas pessoais do senador e de sua acompanhante durante viagens internacionais.
Em um dos diálogos reproduzidos no processo, um assessor de Vorcaro pergunta se funcionários deveriam continuar pagando contas de restaurantes atribuídas a Ciro Nogueira e à esposa até determinado dia. Na sequência, Daniel Vorcaro autoriza a continuidade dos pagamentos e menciona o envio de um cartão para cobertura de despesas.
A decisão do STF aponta ainda que as vantagens investigadas incluiriam hospedagens em hotéis de luxo, gastos em restaurantes de alto padrão e outras despesas pessoais. Para o ministro, os elementos reunidos até o momento justificam o aprofundamento das investigações e a adoção de medidas cautelares para evitar possível ocultação de provas.

As investigações também miram uma suposta relação financeira entre empresas ligadas à família Vorcaro e a CNLF Empreendimentos, empresa vinculada ao senador. Conversas interceptadas pela PF mencionam dificuldades para manter os repasses mensais e discutem valores que variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.
A Polícia Federal suspeita que a contrapartida aos pagamentos seria o uso do mandato parlamentar para beneficiar interesses do Banco Master. Entre os pontos investigados está a apresentação de uma emenda à PEC 65/2023, protocolada por Ciro Nogueira em 2024, que ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
De acordo com a PF, o texto da proposta teria sido elaborado por integrantes do próprio banco antes de ser apresentado no Congresso. Mensagens obtidas pelos investigadores indicariam que executivos da instituição comemoraram a apresentação da medida e acreditavam que ela poderia ampliar significativamente os negócios do banco.
Outro ponto sob investigação envolve operações societárias consideradas suspeitas pela PF. Uma empresa ligada ao senador adquiriu participação na Green Investimentos S.A. por R$ 1 milhão, operação que também passou a ser analisada pelos investigadores.
A defesa de Ciro Nogueira afirmou que o senador irá colaborar com as investigações e sustenta que ele não teve participação em atividades ilícitas. Até o momento, as defesas dos demais investigados não haviam se manifestado publicamente.
A Operação Compliance Zero apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e favorecimento político envolvendo operações financeiras ligadas ao Banco Master.








