
A participação feminina avança na indústria, setor historicamente associado à mão de obra masculina. No Rio Grande do Sul, as mulheres representam 31,2% da força de trabalho industrial, acima da média nacional de 25,5%, segundo dados de 2024 da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS/MTE). O cenário ganha destaque na Mercopar 2026 (https://mercopar.com.br/), a maior feira de inovação industrial da América Latina, promovida pelo Sebrae RS e Sistema FIERGS, de 20 a 23 de outubro, em Caxias do Sul (RS).
Para Daniela Kraemer, diretora do Sistema FIERGS e coordenadora do Comitê de Lideranças Femininas (Colife), a presença feminina em diferentes funções industriais é fundamental para ampliar oportunidades e incentivar novas gerações. “A presença de mulheres em posições técnicas, operacionais e de liderança é fundamental para inspirar novas gerações, fortalecer o sentimento de pertencimento e mostrar que não existem profissões exclusivamente masculinas”, afirma.
A presença das mulheres na indústria de transformação se destaca em segmentos como vestuário e acessórios, produtos farmoquímicos, couro e calçados, têxteis e equipamentos de transporte. Com a modernização dos processos produtivos e a incorporação de novas tecnologias, a qualificação profissional também ganha importância para ampliar as possibilidades de atuação feminina em diferentes atividades industriais.
O movimento se reflete ainda nos cargos de gestão. No Brasil, as mulheres ocupam 24,2% das posições de gerência na indústria, enquanto no Rio Grande do Sul representam 21,4%. A ampliação dessa participação vem acompanhada do fortalecimento de iniciativas que estimulam o desenvolvimento de lideranças femininas, como o Colife, que reúne representantes da indústria gaúcha e do Sistema FIERGS.
“É preciso atentar para a cultura organizacional, o senso de pertencimento e a segurança psicológica nos ambientes de trabalho. É preciso garantir que elas encontrem ambientes respeitosos, inclusivos e seguros, nos quais possam contribuir, expressar suas opiniões, assumir desafios e desenvolver seu potencial”, destaca Daniela.

Qualificação impulsiona novas oportunidades
A formação profissional é um dos caminhos para ampliar a presença feminina na indústria, especialmente em áreas relacionadas à ciência, tecnologia, engenharia e matemática, conhecidas pela sigla STEM. Em um setor cada vez mais tecnológico, inovador e sustentável, o desenvolvimento dessas competências pode contribuir para que mais mulheres ocupem posições técnicas, de liderança e de decisão
Os indicadores de escolaridade reforçam esse potencial. Segundo os dados apresentados pela fonte, 35,3% das mulheres no Brasil e 32,5% no Rio Grande do Sul possuem ensino superior completo. A qualificação, aliada à abertura de oportunidades nas empresas, pode favorecer trajetórias profissionais em diferentes segmentos industriais.
“Precisamos preparar as mulheres para as oportunidades que surgem no mercado e trabalhar para que elas reconheçam seu diferencial e possam demonstrá-lo de maneira mais objetiva e competitiva”, afirma Daniela. Nesse contexto, o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) vem ampliando iniciativas de capacitação e mentorias voltadas ao público feminino, com foco tanto na preparação de profissionais para o mercado industrial quanto no desenvolvimento de empreendedoras e sucessoras de empresas familiares.
O fortalecimento da participação feminina também se conecta às transformações do ambiente empresarial. A diversidade de experiências e perspectivas contribui para ampliar debates, estimular novas ideias e enriquecer processos de decisão. Ao mesmo tempo, a presença de mulheres em posições de liderança ajuda a construir referências para profissionais que desejam desenvolver carreira no setor.
Serviço
Mercopar 2026
Data: 20 a 23 de outubro de 2026
Local: Caxias do Sul (RS)
Realização: Sebrae RS e Sistema FIERGS
Informações e inscrições: https://mercopar.com.br/








