Estudantes do 3º bloco do curso de Licenciatura Plena em Ciências Sociais da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) desenvolveram cartilhas digitais ilustrativas com foco na promoção da diversidade cultural e no combate a práticas etnocêntricas. A atividade foi orientada pela professora mestre Lílian Gabriella Castelo Branco Alves de Sousa e integra as discussões realizadas em sala de aula no campo da antropologia.
A proposta teve como base o estudo do surgimento da antropologia enquanto campo científico, partindo das interpretações do evolucionismo social até alcançar as contribuições da antropologia cultural. Nesse percurso, os estudantes foram estimulados a refletir sobre as diferentes formas de organização social e os riscos de hierarquização entre culturas, especialmente a partir do conceito de etnocentrismo.
De acordo com a professora Lílian Gabriella, a atividade teve como principal objetivo aproximar o conhecimento acadêmico da realidade social, estimulando competências que vão além do domínio teórico. “Foi estimular nos estudantes a capacidade de transformar conhecimentos teóricos da Antropologia em uma linguagem acessível e socialmente relevante. Como a proposta buscou promover a compreensão crítica do conceito de etnocentrismo e incentivar a reflexão sobre a diversidade cultural, ao mesmo tempo eles tiveram que desenvolver habilidades de comunicação científica e mediação do conhecimento para dialogar com a sociedade por meio de materiais educativos acessíveis”, explica.

O trabalho desenvolvido em sala envolveu a leitura e discussão de autores clássicos e contemporâneos da antropologia, permitindo aos estudantes compreender tanto a formação quanto as transformações do campo. “Esses conceitos foram trabalhados por meio da leitura e discussão de autores clássicos e contemporâneos da Antropologia. Inicialmente, os alunos analisaram como as teorias evolucionistas, presentes em autores como Edward Tylor, Lewis Morgan e James Frazer, contribuíram para a formação da disciplina antropológica, mas também produziram interpretações hierarquizantes das culturas humanas”, detalha.
A docente destaca ainda que o aprofundamento crítico se deu a partir do contato com outras perspectivas teóricas que problematizam essas visões. “Em seguida, foram discutidas as críticas a essas perspectivas, especialmente a partir das contribuições de Franz Boas, Roque Barros de Laraia e outros autores que enfatizam o relativismo cultural. Nesse contexto, os discentes refletiram sobre a importância de compreender cada cultura a partir de seus próprios valores, significados e práticas sociais, evitando julgamentos baseados nos padrões culturais da própria sociedade”, acrescenta.
O material produzido busca aproximar o conhecimento acadêmico da realidade cotidiana, apresentando situações simples que evidenciam comportamentos etnocêntricos e suas consequências. As cartilhas abordam como essas práticas podem reforçar preconceitos, discriminações e diferentes formas de racismo, ao mesmo tempo em que propõem uma leitura mais crítica e respeitosa das diferenças culturais.
Com linguagem acessível e caráter educativo, o conteúdo foi pensado para alcançar não apenas o ambiente universitário, mas também professores, estudantes da educação básica e a comunidade em geral. Para a professora, essa estratégia amplia o impacto social da produção acadêmica. “Quando conceitos complexos como esses são apresentados em uma linguagem clara e pedagógica, torna-se possível democratizar o acesso ao conhecimento científico e promover reflexões importantes no cotidiano das pessoas. No caso da Antropologia, essa aproximação é especialmente relevante porque a disciplina contribui para a compreensão da diversidade cultural, para o combate a preconceitos e para a construção de relações sociais mais respeitosas”, pontua.
A iniciativa também reforça o papel da universidade na relação com a sociedade. “A produção desses materiais fortalece o diálogo entre universidade e spensando principalmente em crianças e adolescentes do ensino médio, para que eles pudessem entender o tema de forma mais clara. Isso me fez perceber a importância de adaptar o conhecimento para diferentes públicos e tornou a experiência ainda mais significativa”, afirma.
O estudante também destaca os aprendizados adquiridos ao longo da atividade, especialmente no que diz respeito à compreensão crítica das relações culturais. “Aprendi que o etnocentrismo está muito presente no nosso dia a dia, muitas vezes de forma inconsciente, quando julgamos outras culturas a partir dos nossos próprios valores. Já a diversidade cultural me fez entender a importância de respeitar e valorizar as diferenças, reconhecendo que cada cultura tem sua própria lógica, história e significado. Isso contribuiu para desenvolver mais empatia e senso crítico”, explica.
Para Diogo, a atividade teve impacto direto em sua formação acadêmica, ao estimular habilidades fundamentais para sua trajetória no curso. “Essa atividade contribuiu bastante para minha formação, porque ajudou a desenvolver habilidades como pesquisa, organização de ideias e comunicação. Além disso, reforçou a importância de temas sociais na minha área de estudo, incentivando uma postura mais crítica e reflexiva. Também me preparou melhor para produzir trabalhos acadêmicos com mais consciência e responsabilidade”, conclui.
As cartilhas foram elaboradas em formato digital e contam com ilustrações produzidas com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas como suporte visual. No entanto, todo o processo de pesquisa, organização das ideias e construção do conteúdo foi desenvolvido pelos próprios estudantes, com base nas leituras e debates realizados durante as aulas.ociedade e contribui para a formação de cidadãos mais conscientes da pluralidade cultural que caracteriza as sociedades humanas”, completa a docente.
Confira as Cartilhas na integra:
Cartilha-ComoNaoSerEtnocentrico-Uespi-CienciasSociais-Antropologia-3oPeriodo
COMO NÃO SER PRECONCEITUOSO_20260402_000503_0000
Fonte: Ascom Uespi








