A Polícia Civil do Piauí está considerando indiciar um estudante de medicina por lesão corporal grave e homofobia após uma briga ocorrida em um bar em Parnaíba, litoral do Piauí. O delegado Ayslan Magalhães, responsável pelo caso, confirmou que um laudo médico apontou lesões corporais graves na vítima, que apresentou um atestado de 60 dias. De acordo com o Código Penal, a lesão corporal grave é caracterizada pela incapacidade para as atividades habituais por mais de trinta dias. As vítimas também buscaram medidas protetivas.

“Um novo exame será realizado em 30 dias pelo perito médico legal. O suspeito confessou a agressão, mas negou que tenha sido motivada por homofobia. Ele alega que foi devido a um desentendimento dentro do bar”, disse o delegado.
O esposo da vítima, Victor Chaves, relatou que o casal teve que deixar a cidade por medo de represálias do suspeito. O laudo médico revelou que Arthur Carvalho sofreu uma fratura no cotovelo e precisará usar tipoia por 30 dias, além de necessitar de fisioterapia.

“Agora, nossa maior tristeza é que estamos reclusos. Estamos sendo reféns, sofremos opressão, experimentamos um crime de homofobia e agressão física. O agressor já admitiu a agressão, mas negou a homofobia. No entanto, temos todas as imagens e testemunhas. O que mais nos entristece é que estamos sendo forçados a nos retirar do nosso ambiente por puro medo. A faculdade não se manifestou, alegando que o incidente ocorreu fora de suas dependências e que eles não têm envolvimento. Sentimo-nos humilhados e impotentes. Eu fui agredido verbalmente, e meu esposo fisicamente”, relatou Victor.
O incidente envolveu um casal de estudantes que alega ter sido vítima de homofobia durante a madrugada de sábado (30) em um bar na cidade de Parnaíba. Segundo uma das vítimas, um homem identificado como Moises Costa Martins, também estudante de medicina, proferiu discursos homofóbicos e agrediu um deles com um chute. A delegacia de Parnaíba está investigando o caso.
A vítima espancada, Arthur Carvalho, de 28 anos, relatou que o agressor foi apresentado a ele como namorado por uma amiga que o casal havia conhecido na noite anterior. Durante a apresentação, Moisés fez gestos obscenos e insultou Victor.

“Eles começaram a me xingar, me mandaram tomar no c*, e ele disse à namorada que não queria ficar na mesa com um bando de viados, por isso não queria ficar com ele. Ele fez gestos obscenos, e ela começou a pedir desculpas. Eu chamei meu esposo, que estava na área de fumantes porque estava com medo. Quando eu o chamei, ele levantou o cigarro e eu disse que ele ia apanhar. Moisés foi até a mesa dele, pegou uma garrafa, e foi quando meu esposo o viu e correu em direção a ele. Meu marido pediu respeito e o empurrou no ombro. Foi quando os seguranças intervieram. Houve uma discussão e eles saíram”, explicou Arthur.
O casal permaneceu no local, e minutos depois, Arthur Carvalho foi agredido e ficou inconsciente. “Achávamos que ele tinha ido embora. Quando meu esposo saiu para fumar, cerca de 10 a 15 minutos depois, o agressor voltou e o chutou. Meu esposo desmaiou e sofreu ferimentos graves na cabeça. Nós nunca passamos por algo assim. Ele ficou em estado de choque, e eu comecei a chorar. A polícia chegou e encerrou a festa. Registramos um boletim de ocorrência e a perícia foi realizada. Os policiais nos protegeram no Instituto Médico Legal (IML)”, explicou Victor.
De acordo com o delegado Ayslan Magalhães, um homem foi intimado na terça-feira (03) por apologia ao crime nas redes sociais. O comentário foi feito em uma postagem sobre o caso envolvendo o casal gay em um bar de Parnaíba. O homem comentou: “fez o certo, eu faria pior”.
“Ele foi ouvido, confessou ter realizado o comentário nas redes sociais, mas alegou que não o fez com a intenção de incitar a violência. No entanto, o crime de apologia ao crime está previsto no Código Penal e se aplica à sua conduta, que elogiou ou incentivou um determinado crime ou criminoso. Portanto, ao se referir ao ato homofóbico e ao suposto criminoso que cometeu o crime de homofobia, seu crime está qualificado”, explicou o delegado.

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O homem que fez o comentário foi autuado por apologia ao crime e enfrentará as consequências legais.








