
O Governo do Piauí vai integrar o botão do protocolo “Ei, Mermã, Não se Cale” à plataforma BO Fácil, sistema digital da Secretaria de Segurança Pública que permite o registro de ocorrências pela internet. A nova funcionalidade permitirá que mulheres em situação de violência acionem, diretamente pelo WhatsApp, atendimento especializado e a rede de proteção.
Com a integração, as vítimas poderão receber orientações, acolhimento e solicitar ajuda imediata, inclusive enviando a localização para facilitar o deslocamento das equipes de segurança.
O protocolo “Ei, Mermã, Não se Cale”, coordenado pela Secretaria das Mulheres (Sempi), já funciona 24 horas nos 224 municípios do estado. O serviço oferece atendimento com assistentes sociais e psicólogas, além de informações sobre os tipos de violência e os serviços disponíveis para proteção das vítimas.
De acordo com a comandante de Polícia Comunitária da Polícia Militar do Piauí, tenente-coronel Elizete Lima, a nova ferramenta ajuda a superar uma das principais dificuldades no combate à violência doméstica: a subnotificação. Segundo ela, grande parte das mulheres vítimas de feminicídio nunca chegou a pedir ajuda.
“Muitas viviam em áreas rurais, longe de delegacias e canais de denúncia. O BO Fácil permite contato direto com a polícia e ainda possibilita o envio da localização, o que agiliza a chegada das equipes”, explicou.

Além da ampliação da plataforma digital, equipes da Polícia Militar têm realizado capacitações em quartéis do interior do estado. O objetivo é preparar os agentes para o atendimento de mulheres vítimas de violência e ampliar o uso da ferramenta, especialmente em regiões mais distantes dos centros urbanos.
Dados do sistema indicam crescimento no número de registros feitos pela plataforma. Entre julho e fevereiro, foram contabilizados mais de 1,9 mil boletins de ocorrência relacionados à violência contra a mulher. O pico ocorreu em dezembro, com 312 registros. Em janeiro foram 263 casos e, em fevereiro, 266 denúncias.
A secretária das Mulheres, Zenaide Lustosa, avalia que a integração das plataformas fortalece o acesso das vítimas aos serviços de acolhimento e proteção. Segundo ela, a iniciativa amplia a atuação do protocolo, que já está conectado à Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180.
Atualmente, a rede de proteção acompanha mais de 800 mulheres em Teresina e cerca de 1.500 em todo o Piauí por meio de ações de monitoramento e atendimento realizadas pelas forças de segurança e serviços de assistência.
O governo reforça que denunciar é o primeiro passo para interromper o ciclo de violência. Ao buscar ajuda, a vítima passa a contar com medidas de proteção, assistência social e acompanhamento psicológico.
Canais de atendimento e denúncia
- BO Fácil: 0800 086 0190
- Ei, Mermã, Não se Cale (24h): 0800 000 1673
- Central de Atendimento à Mulher: 180
- Polícia Militar (Copom): 190
- Guarda Municipal: 153
- Casa da Mulher Brasileira (Teresina): (86) 99412-2719
Com exceção da Casa da Mulher Brasileira e da Guarda Municipal, os demais canais atendem todos os 224 municípios do Piauí.








