O número de mortos nos incêndios florestais que atingem a região de Los Angeles aumentou para 16 nesse, enquanto as equipes lutam para conter as chamas antes da chegada prevista de novas rajadas de ventos fortes capazes, potencialmente, de empurrar o fogo em direção a outras regiões da cidade.
O departamento de medicina forense de Los Angeles informou que cinco das mortes ocorreram nos incêndios no bairro costeiro de Pacific Palisades e outras 11 em Eaton, no interior.
As autoridades não descartam um aumento no número de vítimas, enquanto as equipes com cães farejadores realizam buscas sistemáticas nos bairros atingidos. A cidade estabeleceu um centro de informações onde a população pode relatar as pessoas desaparecidas.
No sábado à noite, o Departamento de Proteção Florestal e de Incêndios da Califórnia (Cal Fire) relatou que os incêndios de Palisades, Eaton, Kenneth e Hurst consumiram cerca de 160 quilômetros quadrados, uma área maior que a da cidade de São Francisco.
Somente os incêndios de Palisades e Eaton devastaram uma área de quase 153 quilômetros quadrados. Na noite de sábado, o Cal Fire informou que 11% das chamas estavam contidas em Palisades, enquanto em Eaton, 15% do incêndio estava controlado.

Novas rajadas de ventos fortes
O Serviço Nacional de Meteorologia alertou que novas rajadas de ventos fortes – tidos como os responsáveis por transformar os incêndios florestais em infernos que arrasaram bairros inteiros – devem atingir em breve a cidade, onde não choveu em quantidade significativa durante mais de oito meses.
“As condições climáticas ainda são críticas e mais ventos fortes são esperados a partir desta segunda-feira”, afirmou um porta-voz do Cal Fire.
Christian Litz, chefe de operações do departamento disse, nesse sábado (11/1), que o foco principal do combate às chamas era o incêndio na área do cânion de Palisades, não muito longe do campus da Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla). O fogo também ameaça atingir alguns dos marcos da cidade, como o Museu Getty, e áreas densamente povoadas, como Hollywood Hills e o vale de San Fernando.
Os Serviços de Emergência da Califórnia informaram neste sábado que 150 mil pessoas no condado de Los Angeles ainda estavam sob ordens de evacuação, com mais de 700 recebendo sendo acolhidas em nove abrigos.
Equipes da Califórnia e de nove outros estados atuam nas operações, que incluem 1.354 caminhões de bombeiros, 84 aeronaves e mais de 14.000 funcionários, além de bombeiros recém-chegados do México.
Prejuízos históricos
Os incêndios, que começaram na última terça-feira (07/01) ao norte do centro de Los Angeles, destruíram mais de 12 mil estruturas. Em Eaton, ao norte de Pasadena, as chamas devastaram mais de 7 mil estruturas – termo que abrange casas, prédios de apartamentos, empresas e veículos, além de estruturas adjacentes, como garagens ou depósitos.
As primeiras estimativas sugerem que os danos na Califórnia poderão ser os mais elevados já registrados no país. Uma estimativa preliminar da AccuWeather, uma empresa especializada em dados meteorológicos, calcula que os prejuízos podem variar entre 135 e 150 bilhões de dólares (R$ 824 e R$ 916 bilhões).
Com relatos de saques e a imposição de um toque de recolher noturno, a polícia e a Guarda Nacional montaram postos de controle para monitorar o acesso às áreas afetadas. Isso, no entanto, tem causado frustração entre muitos moradores, que precisam esperar até 10 horas nas filas para tentar retornar e verificar o que restou de suas casas.
FBI e polícia iniciam inquérito
Ainda não foi determinada a causa dos incêndios de grandes proporções. Uma investigação em grande escala já está em andamento, com a participação do FBI, da Agência de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF) e das autoridades locais, conforme informou o xerife do condado de Los Angeles, Robert Luna. “Não vamos deixar pedra sobre pedra”, garantiu.
“Se isso for um ato criminoso – não estou dizendo que vai ser, mas, se for – precisamos punir quem fez isso, ou os grupos responsáveis”, acrescentou. O xerife lançou um apelo para que qualquer pessoa que tenha informações se apresente às autoridades.
Embora os incêndios possam ser provocados, eles frequentemente ocorrem de forma natural, sendo uma parte essencial do ciclo de vida de um ecossistema. No entanto, a expansão urbana torna a população mais vulnerável aos riscos, e as mudanças climáticas – intensificadas pelo uso descontrolado de combustíveis fósseis – agravam as condições que favorecem incêndios com grande potencial de destruição.
Fonte: Metrópoles








