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Trocar comida de verdade por alimentos ultraprocessados ditos ‘saudáveis’ pode aumentar o risco de doenças crônicas

Nutricionista alerta que produtos com apelo ’fit’ ou suplementados por proteína não são garantia de alimento saudável e, por isso, devem ser consumidos com parcimônia.

Flávio Figueredo por Flávio Figueredo
29 de agosto de 2026
em DESTAQUES, SAÚDE
Foto: Freepik

A busca por uma dieta alimentar saudável aliada à praticidade tem levado cada vez mais pessoas a substituir refeições por shakes, barras de proteína e iogurtes com alto teor proteico, ou seja, produtos processados. Segundo levantamento da Euromonitor – empresa especialista em inteligência de mercado -, o setor brasileiro de produtos naturais, orgânicos e funcionais movimenta mais de R$ 15 bilhões por ano, com destaque para o segmento de alimentos proteicos, que já representa R$ 2,1 bilhões e deve atingir R$ 3,1 bilhões até 2028.

Embora possam fazer parte da rotina alimentar, esses produtos devem ser consumidos com moderação. É o que aponta o estudo Alimentos ultraprocessados ​​e saúde humana: a tese principal e as evidências, publicado na revista The Lancet, associando o consumo frequente de alimentos ultraprocessados ao aumento do risco de doenças crônicas, como obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Yuri Sato, nutricionista e coordenadora de Nutrição do grupo Care Plus, explica que alegações como ‘fit’, ‘zero açúcar’ ou ‘alto teor de proteína’ não significam que um alimento é saudável. A recomendação é observar o grau de processamento do produto, conforme a classificação NOVA, que categoriza os alimentos pelo nível de processamento, e o Guia Alimentar para a População Brasileira, documento oficial do Ministério da Saúde sobre alimentação saudável. Para isso, a especialista atenta para a importância da leitura dos rótulos para a escolha dos produtos. “Uma regra básica é: dê prioridade a alimentos in natura – como frutas, legumes, verduras e grãos – ou alimentos minimamente processados”, diz.

Ela prefere não condenar os alimentos processados e afirma que eles não precisam ser completamente excluídos da dieta alimentar, mas devem ser consumidos de forma pontual e inseridos em um planejamento alimentar individualizado, considerando as necessidades nutricionais, a rotina e os hábitos de cada pessoa.

Planejamento alimentar

Para quem enfrenta uma rotina intensa, o planejamento alimentar pode ser o principal aliado para evitar que a praticidade avance para uma dependência de produtos industrializados. O Guia Alimentar aponta que a falta de tempo, a perda das habilidades culinárias e a publicidade são alguns dos principais obstáculos para uma dieta equilibrada. Nesse contexto, o acompanhamento nutricional pode apoiar na mudança de comportamento de acordo com o contexto de cada pessoa , além de facilitar a organização das refeições.

Yuri afirma que mais do que classificar alimentos entre bons e ruins, o desafio está em construir hábitos sustentáveis. “Produtos proteicos e outros alimentos industrializados não devem substituir, de forma recorrente, refeições completas e variadas”, afirma ela, reforçando que comer bem envolve planejamento, autonomia e valorização da culinária. ”Escolhas saudáveis dependem menos de produtos específicos e mais da construção de uma rotina alimentar equilibrada”, completa.

Fonte: Ascom

Tags: alimentosalimentos ultraprocessadosSaúde

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