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Endometriose: dor intensa não é normal e pode indicar doença crônica

Ginecologista explica que embora a dor seja o principal sinal de alerta, algumas mulheres normalizam e convivem sem o diagnóstico

Flávio Figueredo por Flávio Figueredo
19 de março de 2026
em DESTAQUES, SAÚDE
Foto: Freepik

Dor forte durante a menstruação, desconforto nas relações sexuais, alterações intestinais e até dificuldade para engravidar podem ser sinais de endometriose, uma doença crônica que ainda enfrenta atraso no diagnóstico e impacta diretamente a qualidade de vida feminina.

Segundo a ginecologista do Grupo Med Imagem, Bruna Petri Lages (CRM 9580 / RQE 4812), a endometriose ocorre quando células do endométrio, tecido que deveria estar apenas dentro do útero, passam a crescer fora dele. “Conceitualmente, é quando células do endométrio começam a crescer fora do útero, em outras regiões da cavidade pélvica ou abdominal. A gente já sabe que é uma doença inflamatória sistêmica, que afeta diversos órgãos e sistemas”, explica.

A dor é o principal sinal de alerta. A especialista descreve a condição como a doença dos “cinco Ds”: dor na relação sexual, dor ao menstruar, dor pélvica crônica, dor ao urinar e dor ao evacuar. Outros sintomas incluem inchaço abdominal, alterações emocionais e irritabilidade.

De acordo com a dra. Bruna Petri, apesar dos sinais, muitas mulheres convivem anos sem diagnóstico porque aprenderam a entender que sentir dor é normal, comportamento que atrasa muito o diagnóstico. Conforme a especialista, o tempo médio para confirmação da doença pode chegar a sete anos, principalmente pela normalização da cólica intensa.

A endometriose também pode estar associada à infertilidade. “Muitas mulheres só investigam quando tentam engravidar e não conseguem, porque foram normalizando a dor ao longo da vida”, diz a médica.

Além dos impactos físicos, a doença também interfere na saúde emocional. “A endometriose piora o estresse porque causa mais dor, e o estresse também piora o quadro por causa do perfil inflamatório”, destaca.

Tratamento para a endometriose

De acordo com a ginecologista, não há cura definitiva para a endometriose, mas controle. O cuidado começa de forma clínica e pode incluir cirurgia em casos específicos. “O tratamento cirúrgico busca retirar focos da doença e melhorar a qualidade de vida e a fertilidade da paciente”, explicou, ressaltando que a abordagem é individualizada.

O diagnóstico é feito principalmente por exames de imagem, como ultrassom com preparo intestinal e ressonância magnética, que ajudam a identificar os focos da doença.

A especialista reforça ainda a importância do apoio familiar e dos parceiros. “A primeira coisa é não normalizar nem minimizar a dor da mulher. O tratamento é multiprofissional e o apoio melhora muito os resultados”, coloca.

Para a ginecologista, ampliar o debate é essencial para reduzir o sofrimento silencioso de muitas pacientes. “Quanto mais a gente fala sobre endometriose, mais mulheres conseguem entender que sentir dor não é normal e procurar ajuda”, conclui.

Fonte: Ascom

Tags: doença crônicaendometrioseSaúde da mulher

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