
A administração pública de Teresina encontra mais um problema grave: calamidade na saúde. Nem a Prefeitura de Teresina, nem a oposição da Câmara dos Vereadores parecem ter uma solução a vista. Além da crise de coleta de lixo e no transporte público, a saúde se deteriorou no segundo semestre. Repasses não foram feitos e empresas contatadas recolheram equipamentos de hospitais de grande importância, como o Hospital de Urgência de Teresina (HUT).
A empresa Servfaz recolheu parte dos equipamentos de limpeza pela falta de pagamento. A energia do prédio da Fundação Municipal de Saúde (FMS) foi cortada por falta de pagamento. A chuva invadiu a Universidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Satélite, zona Leste de Teresina, ficando temporariamente sem atender pacientes. Terceirizada recolheu aparelhos de ultrassom e raio-x do HUT por falta de pagamento em 18 meses.
Em meio à um surto recente de Covid-19, demanda por testes se intensificou e moradores do bairro Dirceu II, zona Sudeste, afirmam insuficiência de material para testagem no Hospital Alberto Neto. Em meio à situação de agravamento da saúde pública municipal, o Conselho Municipal de Saúde irá recorrer à intervenção federal. A Câmara de Municipal de Teresina estuda instaurar CPI para investigar a situação da saúde na gestão atual da prefeitura de Teresina.
O governador do Estado do Piauí, Rafael Fonteles, disse ser necessária cooperação para resolução da situação, estando a gestão estadual aberta a ajudar a na resolução da crise.
Confira abaixo a nota do Conselho Regional de Medicina sobre a situação de calamidade:
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Piauí (CRM-PI) vem a público informar que, diante das reiteradas denúncias apresentadas por médicos, funcionários e pacientes acerca da situação em que se encontra a saúde em nossa capital, realizou várias fiscalizações especialmente no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), nos dias 22, 23, 24, 25, 26 deste mês e também na presente data, incluindo também as Unidades de Pronto Atendimento do Satélite, do Renascença e o CIAMCA.
O CRM-PI constatou que o problema de abastecimento de medicamentos e insumos é geral em toda a rede hospitalar Municipal de Teresina. Tal fato é decorrente de situações administrativas, de programação de consumo e compras através de processo licitatório, além da falta de pagamento a fornecedores e da inadimplência de contratos, tais como o referente ao serviço de Radiologia de toda a rede de saúde, inclusive a tomografia do HUT que passou a ficar sem funcionar a partir da tarde de hoje.
Constatou-se também a falta de insumos, materiais médicos, antibióticos, analgésicos, antiarrítmicos, anticonvulsivantes, antihipertensivos, anestésicos, agulhas para procedimentos anestésicos, tubos para intubação orotraqueal em crianças e adultos, calibragem de aparelhos de anestesia, radiologia sem funcionamento devido ao desligamento de aparelhos pela empresa contratante, com exceção do HUT e CIAMCA (que possui um aparelho portátil).
Diante deste preocupante cenário, o CRM-PI consequentemente deparou-se com péssimas condições de trabalho para os médicos, que não conseguem prestar o melhor atendimento. Os pacientes sofrem por não receberem a assistência de que necessitam e podem apresentar complicações, com possível óbito, em razão da ausência de medicamentos ou materiais de socorro médico.
Cumprindo seu dever institucional de zelar pelas boas condições de trabalho aos médicos para que estes prestem uma assistência de qualidade aos pacientes, o CRM-PI solicitou aos gestores municipais a adequação imediata de todas as deficiências apontadas nos relatórios de fiscalização, sob pena de omissão, caso não sejam atendidas imediatamente.
Por fim, o CRM-PI informa também que os relatórios das fiscalizações serão encaminhados aos gestores, Diretores, Presidente da FMS, Prefeito Municipal de Teresina e ao Ministério Público Estadual.
Teresina, 27 de dezembro de 2023.
Conselho Regional de Medicina do Estado do Piauí








