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Home DESTAQUES

União Europeia investiga Shein por venda de produtos ilegais e design viciante

Além do controle sobre o que é vendido, os investigadores analisam o desenho da plataforma e o uso de recursos de engajamento

Flávio Figueredo por Flávio Figueredo
17 de fevereiro de 2026
em DESTAQUES, MUNDO
Foto: Reuters

A União Europeia deu início a um processo formal para apurar possíveis irregularidades cometidas pela plataforma de comércio eletrônico Shein. A investigação, anunciada nesta terça-feira (17), concentra-se tanto na oferta de produtos considerados ilegais quanto em mecanismos digitais que podem estimular o uso compulsivo do aplicativo.

O procedimento é conduzido pela Comissão Europeia, que avalia se a empresa cumpre as obrigações previstas nas regras que regem o funcionamento de grandes plataformas digitais no continente. Entre as preocupações está a eficácia dos sistemas adotados para impedir a circulação de conteúdos proibidos, especialmente após denúncias envolvendo itens sensíveis que chegaram a ser comercializados no site.

Um dos episódios que motivaram maior atenção das autoridades ocorreu após um alerta feito pela França, no fim de 2025. Na ocasião, foi solicitada uma ação mais rigorosa contra a venda de produtos inadequados. A Shein informou posteriormente que retirou esses itens de seu catálogo em nível global, mas o bloco europeu quer verificar se há salvaguardas suficientes para evitar novas ocorrências.

Além do controle sobre o que é vendido, os investigadores analisam o desenho da plataforma e o uso de recursos de engajamento. Sistemas de pontos, recompensas e recomendações personalizadas entram no radar por, segundo os reguladores, poderem influenciar negativamente o bem-estar dos usuários e a proteção do consumidor, sobretudo se estimularem permanência excessiva ou decisões impulsivas de compra.

Outro eixo do processo diz respeito à transparência dos algoritmos utilizados para sugerir produtos. A Comissão busca entender de que forma essas recomendações são geradas e se os usuários recebem informações claras sobre os critérios adotados.

Com a abertura do inquérito, as autoridades europeias devem intensificar a coleta de provas, por meio de pedidos adicionais de informação, monitoramento contínuo e entrevistas com representantes da empresa e terceiros. Em posicionamento oficial, a Shein afirmou que pretende cooperar com a investigação e destacou investimentos em segurança e mitigação de riscos para se adequar às exigências regulatórias.

Caso sejam confirmadas infrações, o desfecho do processo pode resultar em sanções significativas, incluindo multas e determinações para mudanças estruturais no funcionamento da plataforma dentro do mercado europeu.

Tags: InvestigaçãoSheinUnião Europeia

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