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Home DESTAQUES

Pesquisadores da UFPI identificam evidências arqueológicas em “Porão da Ditadura” em Teresina

Flávio Figueredo por Flávio Figueredo
28 de abril de 2026
em DESTAQUES, EDUCAÇÃO

Uma equipe do Laboratório de Osteoarqueologia da Universidade Federal do Piauí (LOA/UFPI), sob coordenação da bioarqueóloga e professora da instituição, Claudia Cunha, realizou, durante o mês de abril, um levantamento técnico no espaço popularmente conhecido como “Porão da Ditadura”, localizado na Central de Artesanato Mestre Dezinho, no centro de Teresina. Visando aprofundar o conhecimento acerca da utilização do espaço, a iniciativa foi conduzida com autorização prévia dos permissiónarios do espaço e reuniu análises arquitetônicas, arqueológicas e bioarqueológicas.

A investigação concentrou-se em um cômodo subterrâneo acessado por alçapão, com características arquitetônicas compatíveis com construções institucionais brasileiras das décadas de 1940 a 1970. No local, a equipe identificou e analisou revestimentos típicos do período, como granilite nas escadas, marmorite nas paredes e piso em ladrilho hidráulico, elementos amplamente utilizados em edificações públicas da época.

Foto: Reprodução/UFPI

Segundo a professora de Arqueologia da UFPI e coordenadora da equipe, Claudia Cunha, o objetivo é que o espaço seja investigado de acordo com o campo da Arqueologia Histórica e Forense por parte dos especialistas da UFPI. “Do ponto de vista dos Direitos Humanos, preservar esse tipo de local e suas evidências físicas, materiais e oralidade serve para que a sociedade se lembre de crimes que não devem ser repetidos. Quando esquecemos, temos a tendência a repetir os horrores do passado”, reitera a docente. A pesquisadora frisa, ainda, que, do ponto de vista da Arqueologia Forense, este é o primeiro estudo sobre um possível lugar associado à repressão violenta durante a Ditadura Militar no Estado.

Ainda de acordo com a bioarqueóloga, o local possui potencial para análises mais aprofundadas e que explorem seu valor histórico. “Atualmente, o espaço encontra-se ameaçado de destruição por projetos de reforma arquitetônica do local. Diante da relevância histórica e potencial valor probatório do local, a equipe técnica recomenda a preservação do espaço até a realização de estudos mais detalhados no âmbito da Arqueologia Forense e da Arqueologia Histórica”, conclui a pesquisadora.

Foto: Reprodução/UFPI

Durante a análise, os pesquisadores identificaram marcas nas superfícies do ambiente. Além de sinais de degradação decorrentes do tempo e do uso posterior como depósito, foram detectadas manchas orgânicas invisíveis a olho nu, reveladas por meio de iluminação com luz ultravioleta. De acordo com a equipe, o cenário sugere a possibilidade de se tratarem de manchas de sangue decorrentes de crimes como os relatados nos estudos históricos e nos testemunhos de vítimas das prisões arbitrárias do período. O próximo passo na pesquisa envolve a coleta de amostras para checagem da origem das manchas.

O edifício, em que hoje funciona a central de artesanato, possui uma longa trajetória histórica. Construído no contexto da transferência da capital do Piauí de Oeiras para Teresina, entre 1844 e 1852, o prédio já abrigou o Estabelecimento de Educandos Artífices do Piauí no século 19 e, posteriormente, sediou o Quartel do Comando Geral da Polícia Militar do estado por mais de um século. Durante o regime militar (1964–1985), o local foi utilizado como espaço de detenção política e, segundo registros históricos e testemunhos, também esteve associado a práticas de repressão e tortura.

Fonte: UFPI

Tags: ArqueologiaditaduraUFPI

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